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simple minds: 70 cities as love brings the fall

He wants the world Screams everything Follows in love Love brings the fall She is a country Feel for life Follows in love Love brings the fall First tear forms in the right eye This is the eye that's crying first First tear forms in the right eye This is the eye that's crying first Going somewhere Getting someplace Going somewhere Follows in love Love brings the fall Going somewhere Getting someplace Going somewhere Follows in love Love brings the fall Going somewhere Getting someplace Going somewhere Follows in love Cities heavy Moving breathing Follows in love Love brings the fall The need to draw blood somehow Follows in love Love brings the fall Breath is in Breath is out I'm not seeing anything I see too much When the other side of midnight calls Remind me I'm glad to be here First tear forms in the right eye This is the eye that's crying first In seventy cities In seventy cities Oh no oh no oh no no no Here it comes Here it comes Here it comes

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a vida louca

Ela vivia num sítio em Lisboa a cair aos bocados, junto ao rio Onde se passeavam barquitos à toa e marinheiros estrangeiros. Fora top-model em Nova Iorque e vivia num loft com um sujeito Que tinha herdado uma fortuna mas que raramente tomava banho. Era alto o rapaz, aristocrata de sangue puro, de cabelo loiro escuro, O dela cheio de caracóis, cor de café torrado, dos avós de África herdado. Foram glamorosos, ele e ela, juntos eram uma sensação Nas festas loucas de Londres, L.A. e Amsterdão. Bebiam champanhe francês na companhia de artistas, Apareciam sempre a sorrir nas fotos das revistas Enquanto dançavam os rapazes selvagens de Duran Duran. Eram vistos nas passerelles de Milão, cartazes publicitários e painéis: Um metro e oitenta e cinco, oitenta sessenta oitenta e seis. Faziam um vídeoclip da vida como estrelas de rock and roll. Mas virou a década, uma overdose bastou e ele morreu E ela sem dinheiro e ninguém, da tristeza adoeceu. Apanhou um avião...

desiderata - max ehrmann

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as horas que são

Não se pode saber ao certo, de noite, que horas são. Ele presta serviços incertos nas horas vagas a troco de nada, em casas subterrâneas forradas a veludo vermelho e cetim. Apaga os incêndios escondidos em cada um,  eficientemente. Uma caixa de música toca aquilo que ouvia na infância enquanto uma bailarina de porcelana sem pernas dança, graciosamente. A servidão de alguém com bom coração vende cigarros e álcool e submete-se à noite da gasolina com um fósforo aceso em cada mão. Ele caminha o triste caminho até chegar à casa vermelha mas não sabe que horas são nem quando chega lá. Talvez o tempo de um cigarro ou dois, de três copos ou quatro, ou de um fósforo. Mas um estranho aneurisma que nele se instala e que não se revela a princípio como bomba-relógio, bate com o coração cronometrado e dita o tempo que falta até que os fumos da gasolina nele se evaporem e a explosão se adie com o gesto de um cigarro e de um fósforo, infinitamente, e incendeie, por fim, com a ela,...

o piano

Que direito tens tu, ó artista ou mestre de batuta mágica, de atirares um piano, assim, para a noite dos assassinos? Piano vagueia perdido ao relento doce e pesaroso de andamento e chora alegres majestosos em noites tímidas de lua cheia. A rapariga compadece-se, mais ninguém. Estende-lhe a mão, e a música que dela virá não soará mais à violência do grito solene e estridente, ou da brusquidão tirana e demente do artista ou mestre. A rapariga e o piano são melodia de pássaros que fazem um ninho e que ganham asas na mais funda e dilacerante ferida da humanidade no meio sujo da cidade, esgoto profundo e escondido onde as almas tristes habitam alegres, mas não muito.

cobertor do medo

enrolei o segredo em volta do dedo como se fosse um novelo e fiz um cobertor. com o peso de um pesadelo adormeci cedo debaixo do segredo feito de lã quente e de gelo. e não sonho mais o pesadelo porque agora desfio o novelo com o dedo e porque debaixo do cobertor está um computador que não brinca com o medo.