Agosto de dor Longe ela vem e desmaia Certa de que só e triste A esperam na areia Morna e suave Da praia Agosto de dor O sol já não queima O vento amaina A maré distante Abraça-a agora Entre as estrelas da noite Ela paira
Aguenta até às três até o mundo acabar foi o que ele me disse para fazer num parque de estacionamento onde chora e grita o vento e eu de pé quieta no meu quadrado de chão com o carro e as chaves lá dentro e o peso do saco na mão e o saco pesa-me tanto visto o casaco entretanto para me agasalhar são pedras redondas do chão que tenho para lhe oferecer juntas com o meu coração assim para disfarçar queria-lhe agradecer e agora enfrento de frente o vento experimento esse veneno acerto contas com o tempo cerro o punho da mão e espero só até às três até o mundo acalmar
Veio-me uma ideia à cabeça. Duas, aliás. Mas uma delas deixou-me nervosa. Que um homem, o Rolando mordia a orelha a outro homem, um transeunte. O Rolando trabalhava num talho. Era um Homem simples, não acabara o 9º ano. Era gorducho, já estava quase careca, apesar dos seus 26 anos. Nunca lhe vi barba.Era um Homem com pouco pêlo. Andava anormalmente com a bata do talho para todo o lado mas toda a gente o conhecia através do vidro da montra da carne. O Rolando vivia a branco e a vermelho. Ou melhor, vivia a branco sujo de vermelho. Salpicava-lhe sangue na bata, orgãos moles também. Bocados de tripa às vezes. Era um homem muito físico e sensual na maneira delicada com que lidava com a carne. Tendo especial devoção à carne de porco - sendo o porco um animal por excelência curvilíneo. Gostava muito de transformá-lo em bifanas ao gosto dos clientes. Em paralelepípedos de bifanas ou nacos geométricos medidos a régua e a esquadro. A forma ou a divina escultura do porco ganhava sentido nas...
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