O Assombrado



Diorama descansa agora, no entanto ouve-o, solene e imediata. A Ele que ao pé lhe faz companhia e zela por ela. Ele prostra-se de dor, espera que ela se recomponha e lhe diga o que fazer. O que tomar para aplacar aquilo dentro dele, que todos os dias cresce, cresce, cresce como uma flor redonda sem caule. Diorama mais ela, a gata de colo, estranham o décor e a baixela de prata e Ele ali ao pé. Nem sabe porquê, está ali de sentinela e tem sentimentos por ela -- Faz luz – diz ele, Ela faz luz para mim como a manhã e por isso zelo por ela que jaz aqui, assim como... sei lá. Aqui para mim. Então estava escuro? – ele pensa e esgrime em sua cabeça outros argumentos para a convencer de que. De que era Ele, o Destinado. O Assombrado. O Iluminado. Por ela fazer luz ele a trouxe, que repouse que já é tarde. Às três da manhã as portas dos espíritos se abrem toda a gente sabe, que guarde energia para logo. --Estaremos alerta, não é assim Diorama? Estaremos sempre alerta? Algum há de vir, digo o espírito às três da manhã quando tudo arde só em sonhos. Diorama responde que nada, ela já não diz nada. Respira só, devagar e de mansinho para não O assustar.


Sempre em chama
Sempre em chama
Diorama.

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