um acaso

johnny ama violante. dá-lhe ridículo e beijos dos mesmos sítios. relata-lhe autópsias do seu coração e não é por acaso que ela é violante. ela que sabe beber do seu sangue. geonauta, sempre à escuta, johnny vê violante. dá-lhe rosas, vive o momento e diz-lhe que sim para sempre. violante, hoje te espero, à noite, no café. mas, chora ela geonauta, não por ele, outro mais velho, vinte anos mais ardente. longe do bairro pacato, a dez mil milhas para ocidente. johnny aguarda impaciente. vem aí violante ao luar, na chuva, parece contente. mas ela atira as rosas para o chão, triunfante. não é dele, johnny, johnny, que ela gosta, geonauta omnisciente? violante não pára segue em frente. leva uma lua minguante, orgulhosa e contente. pelo caminho pisa johnny, coração desfeito e ausente. percebes agora, geonauta? ele é o bairro, subúrbios e trapos. um acaso de amor adolescente.

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