Rosa às 5 da tarde

Rosa às cinco da tarde olha o relógio e faz cinco anos. Brinca com o novelo de lã vermelho. Rosa às cinco da tarde e é Inverno e neva lá fora. Vê uma árvore despida no frio, respira para o vidro e o vidro embacia. Rosa às cinco da tarde e o avô na poltrona que adormeceu. E o papel de parede às flores. E a lareira acesa. E o novelo que se desfiou. Rosa e a árvore nua, a neve e o silêncio, quer brincar. Faz anos. Rosa! - às cinco da tarde, ninguém chegou a gritar. O avô acorda, enrola o novelo, põe-no na panela para o jantar. Chucha nas pantufas e começa a fazer caretas. Eram Rosa às cinco da tarde quando Rosa não voltou mais.

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