O Agente Laranja

O Agente Laranja acordou de manhã
como era preceito da lei.
Tomou o pequeno-almoço com alguma indiferença.
Uma tigela de flocos de aveia e água a ferver.
Lá fora imperava o estado de guerra.
Via campos imensos de pó e cinzas
de uma qualquer revolução desinteressante.
O dever impunha-se a qualquer devaneio da vontade
e os sonhos de infância desse misterioso Agente Laranja
haviam-lhe sido arrancados a fórceps de ferro
enquanto dormia, disciplinado.
Vestia-se, de cor-de-laranja, como sabia que devia,
e assim se passeava por entre atalhos de fogo, camuflado.
Nunca ninguém o via, esse tal de Agente Laranja.
Mas nesse dia, antes de sair, despediu-se de si próprio
e cantando, enfiou os dois revólveres cada um em seu coldre,
depois de neles marcar o nome de cada têmpora:
primeiro o da direita e depois o da esquerda.



*E com isto, quero dizer: as ideologias que se matem.

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