segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cisne-Satélite



Ergue-te de novo Cisne-Satélite. Criatura feroz e alada, ser além espaço, arranha-céus animal. Eu espero, e enquanto o teu voo intergaláctico se prolonga, o amanhecer de uma nova era tardará. Cisne-Satélite todo-poderoso feito luz de néon e potência elevada ao infinito. Espero de ti um sinal. Olho incessantemente o sol que nunca mais foi feito sombra de ti, pássaro de tempestade. A cidade queda-se em ruínas e deserto de pó de estrelas enquanto tu, luz animal dos céus, não desceres da tua órbita estelar e te lembrares dos Homens. E eu, último reduto da sua memória primordial aguardo um iminente presságio, um tremor temente que prenuncia a salvação. As tuas asas abrigam os habitantes de Nós. Eles veneram-te ao pôr-do-sol, que arde e incendeia o que resta da civilização. Mas não és tu, Cisne-Satélite, que arranhas o céu de noite e deixas cicatrizes no imaginário dos Homens, o Deus a que rezam eles, quando se prostram a um ser desconhecido? Não és tu, besta de luz de néon, que trazes contigo o germe do progresso? E por isso esculpi as tuas asas no betão antigo de uma civilização de outrora. És o fio e o novelo da história dos Homens, o tempo e a imanência. Foste relegado para as primeiras páginas da história, altura em  que os Homens viviam em concórdia, e agora invoco o teu nome por amor a eles, que deixarão em breve de saber quem são e quem foram.

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